Ouro, caviar e até células-tronco são usadas para fabricar cosméticos

Confira como funciona a aprovação para o lançamento de um produto

As matérias-primas dos cosméticos são um atrativo à parte. Na lista, ouro, caviar, pedras preciosas e células-troncos de vegetais na composição de maquiagem e cremes.

– O fabricante está atento a todas descobertas científicas que possam ter aplicação em cosmetologia. Um claro exemplo disso são as células-tronco, que começaram a ser pesquisadas no âmbito da biologia e da medicina, mas logo se vislumbrou sua aplicação em cosméticos. Hoje, temos produtos que contêm concentrados de células-tronco vegetais para estimular crescimento e a renovação das células da pele – avalia o químico Angel Lizárraga, da Associação Brasileira de Cosmetologia.

Uma dessas novidades inclusive foi apresentada em 2009, no 4° Congresso Internacional de Farmácia e Cosméticos. A empresa suíça Mibelle Biochemistry desenvolveu uma tecnologia para promover o cultivo de células de plantas como as de um tipo raro de maçã. A pesquisa mostra que as células-tronco da fruta contêm um potente rejuvenescedor.

– Trata-se de um ativo antienvelhecimento revolucionário, encontrado nas células troncos de origem vegetal que protege, estimula as células-tronco da nossa pele e previne o envelhecimento cutâneo crônico – garante o cosmetólogo Maurício Pupo, consultor em desenvolvimento cosmético.

As células-tronco também foram a aposta da francesa Dior, que lançou a linha Capture R60/80, com cremes que prometem retardar o processo de perda da capacidade de regeneração da pele. Também em 2009, a Adcos apresentou no 17° Congresso Científico Internacional de Estética, a linha Cell Complex, que tem o mesmo princípio: estimular e proteger as células-tronco adultas, permitindo a constante renovação da pele e sua aparência mais jovem e saudável.

Na lista de composições diferenciadas, a suíça La Prairie é incomparável. A marca considerada de luxo, já que seus cremes podem ultrapassar o valor de R$ 1 mil aqui no Brasil, traz no seu portifólio cremes com ouro, platina, caviar e até diamantes na formulação. Os ingredientes tão refinados são promessas de pele mais bonita, mais firme e luminosa.

Como funciona a aprovação de um novo produto de beleza

Os cosméticos precisam receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Mas antes de serem submetidos ao crivo das autoridades sanitárias, passam por um processo demorado dos próprios fabricantes.

1° passo – A segurança é o principal atributo de um cosmético, considerada primordial durante todo o processo de seu desenvolvimento.
2° passo – Qualidade das matérias-primas. As concentrações dos produtos devem atender à legislação vigente, respeitando as quantidades estabelecidas para ingredientes de uso restrito.
3° passo – São testados os sistemas conservantes, que impedem a contaminação do cosmético durante o uso.
4° passo – Estabilidade: testes para garantir que o produto permaneça estável e com as mesmas características durante todo o prazo de validade.
5° passo – Cuidados de interação entre o produto e a embalagem.
6° passo – Testes de segurança e de eficácia: são realizados com acompanhamento de médico dermatologista e seguem uma metodologia predeterminada. A conclusão do teste tem que indicar que o produto é seguro para o uso a qual se destina.

Fonte: Químico Angel Lizárraga, diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia. Ele já foi responsável pela seção de Assuntos Regulatórios Nacional e Internacional da Natura, atuou na gerência de Pesquisa e Desenvolvimento da Ox Cosméticos e foi diretor técnico da Adcos Cosméticos de Tratamento.



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