Paradoxo sexual

A “liberação feminina” começou durante a II grande Guerra Mundial, quando machões beligerantes saíram para conquistar terras alheias e “limpar” o mundo de seres que eles diziam inferiores, sem olhos azuis e pedigree ariano. As esposas, filhas e irmãs dos soldados de todos os lados que ficaram tiveram de assumir o papel destes na sociedade, nas fábricas, no comércio, na labuta. Vencedores e vencidos, ao voltar para suas cidades, tiveram que encarar o mercado modificado: agora tinham que se submeter a seres com arquitetura mamária desenvolvida dando ordens e trabalhando de igual para igual.

Então chegou o advento da pílula, no fim dos anos 60. Ao longo dos anos 70 a mulher entrou de cabeça no mundo corporativo. Ao contrário dos objetivos iniciais, isso não aliviou nem um tantinho a carga da mulher, mas a aumentou seu peso. Aquele conceito antigo de mulher somou-se ao novo conceito, gerando o dever de cuidar da casa, do marido, dos filhos, do emprego, da carreira, da imagem social e ser um sucesso em todas as frentes. Fardo redobrado!

E tem mais! Depois de décadas de movimentos feministas, mudanças nas leis trabalhistas e crescente ocupação de cargos de liderança por mulheres, os homens continuam ganhando salários mais altos e têm os melhores empregos.

As feministas que já não têm tanta lenha para queimar na fogueira acesa com seus sutiãs ficam furiosas comigo e querem reavivar a chama com o papel das minhas colunas. Já ouvi por aí que os homens adoram a minha coluna, enquanto as mulheres se dividem. E sabe da maior? Nem me abalo. Sorrio entre um gole e outro de vinho que o maridinho querido abriu e serviu. Depois de abrir a porta, puxar a cadeira, dar flores e beijar carinhosamente minhas mãos. Prefiro desfraldar uma bandeira branca na guerra dos sexos.

Cansei há muito de discussões beligerantes e passionais. Prefiro ser cuidada a discutir quem manda. Ter paz que ter razão. Meu lado meigo, doce, assumiu o lugar da mandona independente. Sempre digo que toda poderosa, no fundo, quer um alguém especial com quem possa ser uma menininha frágil e pedir colinho. Talvez seja uma conquista dos quarenta. A idade trás a elegância e o autocontrole, a serenidade e a classe. E também olhos benevolentes para as outras pessoas que ainda não entenderam que a vida é uma oportunidade imperdível de ser feliz.

Mas… Quais as principais diferenças de comportamento entre os gêneros no mercado de trabalho, suas consequências diretas e indiretas e, principalmente, o que explica que homens e mulheres tenham prioridades, atitudes e raciocínio tão distintos? Uma psicóloga canadense acaba de lançar um livro que vou correr para comprar: O Paradoxo Sexual. Durante anos de pesquisa e clinica, a colunista do jornal Globe and Mail, buscou uma resposta para as questões que norteiam especificamente os sexos masculino e feminino, no campo profissional, e suas consequências. “As pessoas são programadas” conclui Pinker, que durante 25 anos lecionou no departamento de psicologia educacional e de aconselhamento da McGill University. “As mulheres nasceram para o conforto e não para a velocidade. A testosterona faz com que os homens sejam extremamente vulneráveis, mas, ao mesmo tempo, arriscam-se mais.” Para a psicóloga a explicação para tais peculiaridades é objetiva e científica.

Validou cientificamente minhas idéias. As diferenças são óbvias. E não estão somente dentro das calcinhas e cuequinhas, mas no cérebro e nos hormônios.

A conclusão da autora acirrou os ânimos da velha discussão sobre a influência biológica versus a autoridade do ambiente. Até onde a fronteira de um invade a do outro? Não sei. Mas o fato é que os MEUS níveis de testosterona estão próximos do inexistente há anos. E PAZ não é só meu sobrenome do meio. É minha filosofia de vida.

Um beijo meigo,

Barbara Paz Reiter – www.opoderfeminino.com



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