Em Porto Alegre, mulher dá à luz em lotação

Uma cena inusitada marcou a manhã da Santa Casa nesta quinta-feira. Um lotação invadiu o pátio do Hospital Santa Clara, um dos hospitais do complexo, com uma mulher em trabalho de parto. Sem tempo para ser removida ao bloco obstétrico, a dona de casa Ana Luíza Pires Rodrigues, 26 anos, acabou concebendo o pequeno Leoni à porta do setor de emergência, no pátio da Complexo Hospitalar.Ana Luíza começou a sentir dores em casa, no bairro Serraria, na Zona Sul, no final da madrugada, por volta das 5h. Com nove meses completos no último dia 17, foi avisada por seu médico de que poderia ganhar o bebê “a qualquer momento”.

— Ele (o médico) tinha até me dito que se não viesse até sábado faríamos uma cesariana — disse a mãe, que passa bem, ao lado da criança.

Acompanhada do marido, o pedreiro Paulo Alessandro Soares Vieira, 35 anos, Ana Luíza sentiu que não seria possível chegar a tempo ao hospital quando o lotação entrou na Avenida Salgado Filho, no centro de Porto Alegre. Por volta das 7h, o veículo entrou às pressas pelo estacionamento da Santa Casa. Segundo informações da assessoria do hospital, os médicos iniciaram os trabalhos às 7h10min. Com 4,380 quilos e 50 centímetros, Leoni veio ao mundo por volta das 7h30min.

— Já tínhamos chamado a Samu e contatado a Brigada (Militar), mas eles não tinham como ajudar no momento. Então, decidimos pegar o lotação. Mas eu sabia que não daria tempo — concluiu a mãe.

“É uma situação mais difícil, mas é mais gratificante”, diz médica que realizou o parto

A médica residente Débora Poletto Todeschini precisou de apenas 10 minutos para realizar a operação. Acompanhada dos estudantes Miguel Flores do Amaral Neto e Cezar Vinícius Würdig Riche, e da técnica em enfermagem Sibila Dondé, não tiveram dúvidas em realizar o parto dentro do veículo.

— Ela chegou (ao hospital) já em período expansivo. A bolsa rompeu ainda na viagem. Não teríamos tempo para removê-la ao bloco obstétrico — explicou Débora.

Por coincidência, a situação não é inédita para a obstétra.

— Já fiz um parto dentro de um táxi. É uma situação mais difícil, mas é mais gratificante. É um alívio por ter dado tudo certo e uma sensação imensa de dever cumprido — resume.



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