Veja estatísticas de acidentes aéreos no mundo
Toda vez que acontece um acidente aéreo surgem estatísticas mostrando que voar é seguro. Por exemplo: só no final do ano passado, entre Natal e Ano Novo, morreram 435 pessoas nas estradas brasileiras — quase o dobro das vítimas fatais do voo 447. Essas estatísticas são reais — voar é, de fato, mais seguro que andar de carro. Isso não significa, no entanto, que acidentes sejam tão raros assim. A Associação Internacional de Transporte Aéreo e entidades de registro de problemas com aeronaves levantou as estatísticas que envolvem os acidentes no ar.
De acordo com os registros da Fundação, raios derrubaram aviões 15 vezes – e na maioria delas eram aeronaves de pequeno porte (8). A turbulência, outra possível causa do acidente, esteve envolvida em 73 acidentes – o último em 2005, com uma aeronave menor; com um jato de passageiros, em 1998, um Boeing 707. Tempestades derrubaram aviões 20 vezes – a última, um jato de passageiros da Tupolev, em 2006. Um Airbus nunca foi derrubado nem por raios, nem por turbulência, nem por tempestades, segundo as estatísticas.
Histórico a partir de 1918
De acordo com o Escritório de Registros de Acidentes Aéreos (Acro, na sigla em inglês), de Genebra, na Suíça, já ocorreram 47 acidentes aéreos em 2009, com 569 vítimas fatais. O da Air France foi o pior até agora. Na história da aviação mundial, ocorreram 17.369 acidentes – incluindo de jatos a aeronaves convencionais, de voos comercias a militares, de aviões de passageiros a de carga. Ao todo, 121.870 pessoas morreram e 93.624 ficaram feridas.
Em apenas 5,95% dos casos o mau tempo foi considerado a causa principal do acidente. A maioria foi causada por erro humano: 67,57%. Falhas técnicas responderam por 20,72%.
| Erro humano | 67,57% |
| Falha técnica | 20,72% |
| Mau tempo | 5,95% |
| Sabotagem | 3,25% |
| Outras causas | 2,51% |
| Fonte: Escritório de Registros de Acidentes Aéreos | |
De todos os acidentes, 27,73% ocorreram durante o voo, como aconteceu com o da Air France. A maior parte dos acidentes, 50,39%, no entanto, ocorreu no pouso.
| Durante o pouso | 50,39% |
| Durante o voo | 27,73% |
| Durante a decolagem | 20,96% |
| Durante o taxiamento | 0,64% |
| Durante o estacionamento | 0,28% |
| Fonte: Escritório de Registros de Acidentes Aéreos | |
A maioria dos acidentes aéreos ocorre a menos de 10 quilômetros do aeroporto: 53,89%. Aviões caíram no mar, como no caso do acidente do voo 447, em 9,51% dos casos.
| Menos de 10 km do aeroporto | 53,89% |
| Em planície | 15,96% |
| Em montanhas | 10,44% |
| No mar | 9,51% |
| Na cidade | 1,17% |
| No deserto | 0,44% |
| Em terreno desconhecido | 8,59% |
| Fonte: Escritório de Registros de Acidentes Aéreos | |
Estatística apenas de 2008
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) divulga todos os anos um relatório sobre as principais causas de acidentes com aeronaves. Em sua 45ª edição, a entidade trouxe uma análise detalhada sobre todos os acidentes de 2008 — 109 ao todo, e 60 deles em fabricantes ocidentais (23 deles fatais). O número total é maior que o do ano anterior (100) e que o de 2006 (77), mas o número de mortes diminuiu (de 855 em 2006 e 692 em 2007 para 502 em 2008).
Do número total de acidentes, apenas 7 ocorreram quando o voo estava em altitude de cruzeiro. Os acidentes no pouso também foram maioria: 47.
| Pouso | 47 |
| Aproximação para o pouso | 15 |
| Durante o voo | 7 |
| Subida inicial | 7 |
| Subida durante o voo | 6 |
| Decolagem | 6 |
| Decolagem abortada | 5 |
| Taxiamento de saída | 4 |
| Taxiamento de entrada | 3 |
| Pré-voo | 2 |
| Ig nição | 2 |
| Descida | 2 |
| Serviço de terra | 2 |
| Arremetida | 1 |
| Fonte: Associação Internacional de Transporte Aéreo | |
Dos 23 acidentes com vítimas fatais que aconteceram em aviões de fabricação ocidental em 2008, apenas um ocorreu quando a aeronave estava em altitude de cruzeiro:
| Aproximação para o pouso | 6 |
| Pouso | 5 |
| Subida durante o voo | 4 |
| Subida inicial | 2 |
| Decolagem | 2 |
| Durante o voo | 1 |
| Decolagem abortada | 1 |
| Descida | 1 |
| Fonte: Associação Internacional de Transporte Aéreo | |
De todos os acidentes do ano passado, 29% tiveram uma contribuição meteorológica e em 42% deles houve alguma falha da aeronave.
| 2006 | 2007 | 2008 | |
| Saída da pista | 22 | 26 | 28 |
| Perda de controle | 5 | 13 | 14 |
| Dano no solo | 7 | 19 | 18 |
| Dano durante o voo | 3 | 9 | 16 |
| Falha no motor | * | 5 | 8 |
| Colisão com a terra | 9 | 5 | 7 |
| Pouso forçado | * | 6 | 7 |
| Pouso antes da pista | * | 5 | 6 |
| Rabo da aeronave atinge o solo | 8 | 2 | 3 |
| Colisão na pista | 1 | 0 | 2 |
| Colisão no ar | 1 | 0 | 0 |
| (* Não contabilizado) | |||
| Fonte: Associação Internacional de Transporte Aéreo | |||
O relatório também traz alguns dados correlacionados. Por exemplo:
- Dos 109 acidentes, 30 tiveram contribuição de algum problema dentro da cabine.
- 70% envolveram aviões a jato.
- 21% foram fatais.
- 65% envolveram aviões de passageiros, 31% de carga e 4% voos de translados.
- Mais da metade (53%) ocorreu durante o pouso.
- 7% de todos os acidentes envolveram descompressão da cabine.
- Outros 7% envolveram fogo a bordo (como causa, não como consequência).
- Em 37% dos casos em que uma avião saiu da pista, ou o aeroporto estava fora das especificações ou a tripulação cometeu um erro.
- Em 28% das vezes em que uma falha da aeronave causou um acidente, houve erro de manutenção .
- Em 43% dos acidentes ocorridos no pouso foram detectado erros cometidos pela tripulação e falhas em seu treinamento.


